31/03/2009

Release Chapéu Panamá

Formado em 2005 por jovens amigos universitários, o Chapéu Panamá é hoje um grupo já experimentado no cenário de samba de belo horizonte. Levando para bares e festas de faculdades uma proposta autoral mesclada a repertório de musicas mais conhecidas, o grupo sentiu, em meados de 2007, a necessidade de registrar em disco um pouco daquilo que vinha fazendo desde o seu surgimento.

Aproveitando convite feito pela Rede Minas para gravar o programa "Palco Brasil", o Chapéu Panamá montou, com recursos próprios, um show no Teatro da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa em Belo Horizonte que além de ser televisionado, teve seu áudio captado para um futuro cd.

Realizado o show em fins de 2007, o grupo passou todo o ano de 2008 envolvido na produção do disco que será lançado agora em 2009 e cujo nome não poderia ser outro: "Ao vivo na biblioteca".

As músicas que compõem o cd foram detidamente escolhidas de maneira a formar um todo coerente permitindo assim que as nuances viesse à tona. Para tanto elegeu-se o samba que faz aqui as vezes de um pano de fundo onde cada música costura sua linha de colorido próprio, bordando ponto a ponto sua melodia e poesia, de modo a formar, ao final, um desenho múltiplo mas harmônico pois feito sobre um mesmo tecido cultural.

Nos sambas A Semana e O Samba Mora Aqui encontra-se o samba-rock de Jorge Ben Jor. No samba Sina do Caeté observam-se influencias da música paraense, no samba Pelo espaço de um compasso notam-se linhas melódicas mineiras e em Zé Bigode e Não posso mais, vertentes mais tradicionais do samba irreverente no primeiro e cadenciado no segundo.

As releituras, embora em menor número, também estão presentes. É Preciso muito amor, samba irreverente de Noca da Portela e Tião de Miracema ganha mais malandragem com a interpretação do convidado Ronaldo Coisa Nossa que, aliás, cedeu o samba Mercadão para o grupo gravar em primeira mão. A outra releitura é fruto de uma parceria abençoada entre Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho, Acreditar com forte refrão e bela melodia.

Os arranjos foram feitos pelos próprios músicos o que explica as deficiências de algumas passagens, compensadas, entretanto, pela espontaneidade de outras.

Nada mais natural do que um grupo, cuja amizade entre seus integrantes é sua essência, convidasse para seu convívio musical pessoas com as quais se identifica como o sambista Ronaldo Coisa Nossa, o cantor Mauro Zokrato e o trombonista Leonardo Brasilino, todos os três com participações especiais no cd.

Ronaldo um dos precursores do samba em Belo Horizonte e proprietário do Bar Opção, tradicional reduto do gênero, é como se fosse um padrinho pro grupo.

Mauro, cantando em grupos como Prato e Faca, Pé de passagem e agora o Copo Lagoinha, ajudou a construir o movimento de revalorização do samba a que Belo Horizonte está assistindo nesses últimos anos.

Brasilino, exímio instrumentista, tem se apresentado constantemente com outras bandas de Belo Horizonte e enriquece os shows do Chapéu Panamá com suas linhas melódicas ágeis e certeiras.

A arte gráfica do disco foi toda elaborada pelo cantor e compositor do grupo Renato Rosa que, aproveitando fotos da banda, elaborou uma arte limpa e bela Chamam a atenção as cifras que acompanham cada canção.

Enfim, demorou, mas chegou. E chegou com a marca indelével de produto cultural totalmente independente. Sem qualquer patrocínio direto ou de lei de incentivo à cultura, o grupo Chapéu Panamá, decerto encontrou dificuldades na produção deste trabalho, mas encontrou também muita gente disposta a ajudar.

Não é sem orgulho e mesmo satisfação que o grupo oferece a todos este disco. A expectativa é de que, fazendo ecoar mundo a fora as palavras e notas musicais que compõe estas canções, possam as pessoas se aproximar, cantando a mesma música, dançando o mesmo som, criando outras versões, provocando contradições.


http://chapeupanama.conexaovivo.com.br/